Jovem de 18 anos deseja comprar um imóvel com parte dos lucros
após três ou quatro anos

curso de Economia. Trabalho como segundo câmera e editor para
um fotógrafo da minha cidade e, há um ano, comecei a poupar para
comprar um carro, o qual devo adquirir em agosto ainda com o benefício
da redução do IPI. Pretendo pagar 25.000 reais por ele. Com a poupança
que estabeleci e a quantia que ganho no trabalho, conseguirei pagá-lo à
vista. Meu próximo objetivo é comprar um terreno, permanecer com ele por
algo em torno de três ou quatro anos, e vendê-lo em seguida para comprar
um imóvel. Mas seria mais vantajoso comprar logo o imóvel, ao invés do
terreno?
Resposta do economista Luiz Calado*:
Nossa história de início de carreira é parecida. Também precisei atuar
em outras áreas, que não Economia, para ter o suficiente para comprar
meu carro e investir. Ler um relato como o seu é estimulante e me incentiva
a continuar auxiliando as pessoas com seus investimentos.
Respondendo à sua dúvida: no seu caso é mais vantajoso comprar o
imóvel. A razão é o curto prazo indicado como sua intenção para lucrar
com o terreno. Investimentos em terrenos, no geral, exigem prazos maiores
do que quatro anos para possibilitar um retorno excepcional. Além disso, você
ficaria com o risco muito concentrado num único tipo de investimento, apesar
de isso não caracterizar um problema para jovens de perfil agressivo, como
parece ser o seu.
Dentro do prazo de investimento que você menciona, você poderia pensar
em comprar o terreno e construir, porém precisaria estar preparado para
lidar com os desafios do mercado da construção civil, o que lhe exigiria
extrema determinação. Só com a burocracia perde-se 1 (um) ano, e ainda
sem a garantia de que será bem sucedido.
Um bom investidor em terreno identifica regiões com bom preço e que
serão beneficiadas na próxima década com a expansão da cidade e de
sua infraestrutura. Isso inclui construção de shoppings, praças, e chegada
de transporte público. Mas dez anos é um prazo que você não deseja esperar.
Considerando isso, a melhor opção é comprar um imóvel. O qual, por sua vez,
não será garantia de lucro imediato. O mercado está se adaptando às quedas
de preço que vêm acontecendo desde 2010 (ainda que os “indicadores” não
captem). Eu não aposto numa nova alta de preços, os balanços das
incorporadoras nos mostram estoques altíssimos, na ordem de 30 bilhões de
reais, como mostra a edição da Revista EXAME da segunda quinzena de Abril.
Mas isso não significa que seja impossível lucrar. Há duas maneiras de comprar
por um preço abaixo do mercado e vender com resultado positivo.
1. Imóveis em leilões: já é pública a informação de que a inadimplência
está aumentando e aumentará ainda mais. A consequência disso é que
muitas famílias não conseguirão pagar os imóveis que financiaram. Sendo
assim, os leilões serão cada vez mais comuns e, nestas ocasiões, existe a
possibilidade de fechar bons negócios.
2. Imóveis com problemas: aqueles que necessitam de reformas que ninguém
quer fazer, mas só funcionam se você tiver tempo e paciência para lidar com
o ambiente das construções.
Aproveito para elogiar o seu estilo empreendedor. Ter um carro aos 18 anos
é a realização de um grande sonho para a maioria dos jovens. Se eu fosse um
famoso “pedagogo financeiro” diria: atente-se ao custo do carro, do seguro e
do IPVA. Mas quer saber? Realize seu sonho, seja feliz e que isso lhe permita
ter mais fôlego para trabalhar e conquistar ainda mais!
Por: Luiz Calado
*Luiz Calado é economista, doutorando em finanças sustentáveis e autor dos
livros “Imóveis: seuguia para fazer da compra e venda um grande negócio” e
“Fundos de investimento: Conheça antes de investir”.
Fonte: Exame